Thematic

Ginástica: entrevista a Sofia Simões, homenagem a Jacinta Santos, atuações e muito mais

Foi no passado dia 2 de junho, faz amanhã uma semana, que fui atacada por um batalhão de emoções armadas e galopantes. E que bem armadas iam elas. Vieram acompanhadas de risos e sorrisos, muitas memórias e recordações, umas quantas dores nos ombros e muitas, mas mesmo muitas, lágrimas. Mas para escrever esta homenagem tenho que começar pelo início… que venham as pipocas e os lenços de papel!

Pensei muito na forma como iria começar este artigo. Primeiro, porque é muito emotivo para mim, segundo, porque é muito diferente do que até então já fiz e terceiro, porque tem muita informação num só post. Penso que o primeiro passo é contextualizar-vos sobre como começou a minha paixão pela ginástica.

PARTE I – Como tudo começou

Há já uns largos anos, estava eu no meu 4º ano de escolaridade, pedi à minha mãe para me inscrever num desporto qualquer. Eu sabia que não queria de novo ballet (aquilo era muito parado para mim) mas também não sabia bem o que queria! Foi então um pouco à descoberta que entrei pela primeira vez no Pavilhão do Hóquei Clube da Lourinhã e vi as meninas da acrobática a treinar. Foi amor à primeira vista e disse logo «é isto que eu quero fazer» E fiz!

Entrei na equipa das agora conhecidas Acrogym Enigmas e com elas fui a dois Europeus e um Mundial; visitei Portugal de Norte a Sul; fiz muitas lesões; dei muitas quedas; sorri e chorei muito, aprendi e cresci como nunca antes, conheci países diferentes mas, acima de tudo, criei uma paixão enorme não só para com a modalidade mas também para com a minha equipa. As minhas meninas (sim, na altura eramos só meninas)! E, especialmente, para com a minha professora. A Jacinta. A nossa Jacy!

Foi com a Jacy que andei pela primeira vez de avião; que passei pela primeira vez mais de 4 dias fora da casa dos papás; que soube o que era lesionar as costas mas receber uma massagem dolorosa no pé (as atletas vão perceber); que soube que para um pino sair direito é preciso apertar as nádegas (e isso aprendemos com beliscões no rabo) e foi no colo da Jacy que eu chorei muitas vezes porque tinha saudades dos meus pais mas estava na outra ponta da Europa e não havia outro colo que me acalmasse. A Jacy era como que a nossa mamã da ginástica e durante muitos anos assim o foi…

Mas como tudo na vida, nada é estático, e quando chegou a altura de ir para a faculdade a ginástica acabou por ficar para trás, em segundo ou terceiro plano, algures numa cápsula do tempo distante. Não é que o meu amor tivesse desaparecido, não, mas se não fosse para ter aulas na Lourinhã então também não era para ter em mais lado nenhum. E ver as meninas a atuar sem mim era doloroso demais, por isso afastei-me deste mundo. E embora tivesse deixado de ir ver os treinos e as atuações, até porque a vida nem sempre o permite, a paixão continuou por cá. Lembro-me de ver vídeos de ginástica e chorar de saudades. Mas chorar de baba e ranho, não só deitar uma lágrima perdida que escorre desmaiada! A minha última atuação tinha sido na Escola Secundária da Lourinhã e eu tinha ido para cima do palco com uma ligadura no joelho e muitas dores. Dei tudo naquele palco, embora tivesse saído de lá ao colo e sem andar. E é assim que eu me quero lembrar da ginástica: um sítio feliz, onde damos tudo de nós e recebemos tudo dos outros. Um sítio onde os aplausos soam a mil e um sorrisos perdidos e onde essa paixão fica gravada como uma tatuagem que teima em não sair e onde mesmo lesionadas o amor vence. 

Hoje temos uma estrelinha no céu que brilha mais do que todos os aplausos, holofotes, praticáveis, sorrisos e reflexos do mundo! Brilha mais do que qualquer outra estrela da via láctea, só porque com a sua partida não deixou o mundo tão só e silencioso: deixou um legado gigante. Deixou a sua paixão, a sua voz, a sua dedicação, deixou milhares de alunos que com ela aprenderam e evoluíram, deixou na Lourinhã a marca de quem não quer ser esquecida. E não vai ser. Nunca! Porque enquanto existirmos nós, todos nós que com ela convivemos, mais uma história haverá para contar. A sua história. A nossa história.

Foi no passado dia 2 de junho, faz amanhã uma semana, que decidi em cima da hora que iria assitir ao Lourigym, evento que junta vários atletas da modalidade na minha querida Lourinhã. Convenci a minha mãe, peguei na minha máquina fotográfica e na minha caneta e rumei até ao Hóquei Clube da Lourinhã, local onde não entrava há anos. Chorei do início ao fim! Chorei quando entrei no agora Ginásio Jacinta Santos, chorei quando batia palmas para uma exibição grandiosa, chorei quando ouvi as palavras de homenagem à Jacinta e quando vi pela primeira vez as Acrogym Enigmas atuarem ao som da voz da minha querida amiga Sofia, atual treinadora e outrora atleta. Chorei do início ao fim, é o que vos posso dizer!

Este dia foi carregado de emoções, mas acho que antes de vos mostrar mil e uma fotografias e vídeos do evento, vou começar primeiro por vos mostrar o outro lado dos bastidores. Até agora, falei-vos do que é ser ginasta. Falei-vos das viagens por Portugal de lés a lés, falei-vos da paixão de quem ama as cambalhotas mais do que as lesões, de quem entrega tudo no palco e sorri a cada aplauso… mas agora vou contar-vos a história da Sofia, Sofia Nobre Simões (façam aquela pausa tipo Bond, James Bond). Conheci a Sofia quando entrei para a Ginástica, era ela uma atleta tal como eu. Juntas partilhámos muitos momentos e a mesma paixão: a ginástica, a equipa e a professora maravilhosa que tínhamos. Mas a Sofia foi mais além neste mundo… A Sofia continuou na equipa e na vida destas atletas incríveis e agora dá a cara pela Ginástica com a força de quem não quer desapontar a sua mentora. E nunca o fará!

A gala do Lourigym já tinha terminado mas a Sofia ainda andava a mil a dar instruções às atletas mais pequenas. «Sim, amanhã às 13h00 lá»! Porque vida de atleta é assim mesmo, num dia atuamos em casa e no outro rumamos a outro destino. Sempre em movimento, com uma energia contagiante e com a garra de quem não quer deixar o seu clube mal, as pequenas grandes Enigmas lá partiram no dia seguinte em direção à Gymnáguia, no Estádio do Benfica. No braço levaram uma braçadeira preta, sinal de luto e respeito pela mentora que há meses perderam.

Pelo meio dos mil e um afazeres que a função de treinadora agora lhe exige, a Sofia desde logo se disponibilizou a se sentar comigo para falar um pouco da sua evolução pessoal e profissional neste mundo. Como antigas colegas que fomos e amigas que somos, a conversa fluiu de forma natural e melódica, sempre narrada com uma enorme satisfação e cumplicidade e, claro, também envolta numas quantas lágrimas nostálgicas e sorrisos esperançosos. Lá fui então conhecendo uma Sofia que já não era mais a mesma. Uma Sofia com mais responsabilidade e maturidade e que revelava em cada palavra um amor cada vez maior para com o seu emblema e história.

PARTE II – Entrevista a Sofia Nobre Simões

J – Acho que o melhor é mesmo começar pelo início e perguntar-te como é que nasceu o gosto pela Ginástica?

S – Olha, o gosto pela ginástica começou, em primeiro lugar, porque eu queria dança e não havia. Eu adorava dança e queria tudo o que fosse relacionado com isso e queria mais especificamente dança jazz porque na altura era o que estava mais por aí… mas aqui na Lourinhã não havia nem hip hop nem zumba nem nada dessas coisas, mas havia sim a ginástica. E eu vi uma atuação do grupo da Jacinta num evento escolar que elas organizaram e decidi vir experimentar só mesmo porque sabia que não queria ballet, queria algo mais mexido para mim (risos). Quando cheguei a este treino, elas por acaso estavam a treinar uma coreografia e foi aí que eu disse: ok, isto é para mim, é aqui que eu quero ficar. E depois claro que aos poucos fui percebendo que um esquema não é só composto pela parte da dança, há também a ginástica e toda a parte mais técnica… E pronto, foi por aí que as coisas começaram a traçar-se desta forma, foi mesmo porque sempre quis dança e depois a ginástica ficou e acho que ficou tão bem que ainda está cá…

J – De que forma é que achas que o facto de praticares ginástica influenciou a tua personalidade atual e também as tuas espectativas de futuro? Achas que a ginástica moldou de alguma forma o que és agora enquanto pessoa? 

S – Respondendo à tua primeira pergunta sobre a personalidade, sim, claro que o facto de praticarmos ginástica nos muda, especialmente em coisas como: saber trabalhar em conjunto ou trabalhar em equipa, especialmente porque nós pensamos muito no outro e não só em nós mesmos. A parte individual fica um bocadinho mais apagada, o que acaba por ser muito bom porque nós acabamos por estar 20 pessoas num praticável e mesmo assim pensarmos só por uma. E isso sim, é um aspeto que nos muda muito e que nos influencia até para o futuro, como no mercado de trabalho ou mesmo em algumas situações familiares… começamos a pensar muito no outro e não só em nós. E isso, a meu ver, é uma das principais características… depois claro que há toda a parte de coordenação, coordenação motora, autonomia, concentração…  Tanto para aprender uma coreografia como para estudar para um teste requer de nós muita concentração e estudo e aí, claro, se nós formos concentrados ou aprendermos a concentrar-nos melhor os resultados são muito bons. 

J – Olhando para esta tua fase profissional e pessoal, como definirias a tua personalidade em apenas três palavras?

S – Lamechas, muito lamechas (risos). Exigente. Estou numa fase em que acho que estou muito exigente e talvez só daqui a uns anos é que venha a estar mais calma. Mas sim, tenho plena consciência de que estou numa fase mais ”durona” e onde gosto de ter regras e ver tudo direitinho. E claro, divertida.  

J – Se tivesses que apontar as principais três diferenças entre seres apenas atleta e seres também treinadora, quais seriam? 

S – A primeira diferença enquanto apenas atleta é que tu não tens que pensar em nada. Tu vais, já está tudo organizado e tu só precisas de saber as horas e o local. Pegas nas tuas coisas, no teu maiô e apareces. A parte de seres treinadora envolve todo um trabalho de casa: tens fichas de inscrições, tens prazos, tens que inscrever os atletas na Federação para eles estarem aptos, tens que fazer os testes, tens que fazer toda a parte que está por detrás do trabalho de apenas «treinar». E muitas vezes quando chegamos aqui ao ginásio, estamos a treinar e pensamos que afinal todo o trabalho que andamos a fazer e todo o nosso trabalho de casa não está a ser nada comparado com o que eles no estão a dar aqui, porque eles estão sempre a pedir mais. E então começas a trabalhar ainda mais e a pesquisar mais… eu vejo muitos vídeos, vou a muitos saraus também para ganhar uma melhor perceção do que se passa e para ter mais ideias e muitas das vezes quero aplicar essas ideias aqui e eles pedem-me ainda mais e então, lá está, o trabalho vem todo de casa e isso é muito importante. Quando eu era ginasta não… quando eu era ginasta apenas aparecia. E era muito fixe ir de viagem mas agora preparar as viagens com eles é completamente diferente e mais difícil… E pronto, eu diria que uma das principais diferenças é basicamente a responsabilidade e todo o trabalho que está por detrás do que é apresentado mas depois, por outro lado, é também o gosto em saber que esta é a minha equipa, elas treinam comigo, eu represento-as e quando o trabalho é bem feito também sabe muito bem. E o facto de nós nos darmos todos muito bem e termos uma relação muito boa uns com os outros também transparece e nota-se também. E isso é ótimo!

J – Que sentimentos te vêm mais à flor da pele quando vês a tua equipa no palco? Como descreverias essa sensação de veres as tuas atletas a atuar? 

S – Em primeiro lugar tenho muito orgulho. Fico sempre muito orgulhosa deles! Mas sabes Joana, no meu primeiro esquema, em Janeiro mais ou menos, quando foi a atuação propriamente dita, eu fechei os olhos. Eu tapei os olhos porque eu não consegui ver as figuras difíceis, os voos, isso tudo. E eu só pensava: “mas que parvoíce estás a fazer? Estás a tapas os olhos porquê?” Porque é muito difícil estar de fora! É muito difícil ver de fora porque nós conhecemos tudo de trás para a frente e saber todas as figuras que podem correr muito mal, embora na maioria das vezes nem corram porque treinamos muito e nos treinos tudo tendo a correr bem, mas lá está, acontece e nós sabemos exatamente onde pode acontecer e estamos de fora sem poder fazer nada. E então passamos o tempo toda a pensai “ai e agora, e agora” e mesmo que uma figura já tenha passado nós sabemos que vem outra e depois outra porque claro que o nível de dificuldade vai aumentando e então a minha primeira atuação foi assim. Mas claro que, acima de tudo, é um orgulho muito grande. E é muito grande porque eu sei que eles nos dão muita coisa e dão muito deles! E hoje foi especialmente difícil porque já vínhamos com muito sentimento acumulado e acho que mesmo algumas coisas que eles possam ter falhado durante a atuação foram meros pormenores, especialmente por toda a tensão que havia hoje… 

J – Como é que se deu toda esta evolução de passares só de ginasta a também professora?   

S – Eu sempre ajudei muito a Jacinta, sempre tive uma boa relação com ela… eu fazia as músicas, ajudava em algumas figuras e sempre tivemos assim uma boa ligação. Aos poucos, a Jacinta começou-me também a dar mais autonomia e muitas vezes durante os treinos, enquanto ela não chegava ou mesmo quando não conseguia vir eu ia trabalhando um pouco com a equipa e foi aí que me propôs tirar mesmo o curso. E eu na altura então fiquei um pouco reticente porque achava que não era necessário, ou seja, eu gostava disto mas calma, não é? (risos). Ainda por cima a minha área de estudo nunca foi o desporto e quando eu cheguei efetivamente para fazer a candidatura aquilo era tudo muito específico com disciplinas de anatomia e assim e eu não percebia nada disso, claro que me assustou um bocadinho… Mas a Jacinta esteve sempre lá e ajudou-se sempre, portanto houve sempre esta preparação e entreajuda entre nós. Entretanto com o problema a agravar-se (a saúde) e a sua mobilidade a ficar mais reduzida eu fui também criando cada vez mais contacto com a equipa e trabalhando cada vez mais com elas, preparei vários saraus, por isso acho que toda esta evolução foi sendo de forma gradual. Claro que a rutura mesmo foi quando a Jacinta morreu e aí sim foi um choque muito grande, mas todo o processo tinha-se desenvolvido de uma forma muito gradual! Quando eu acabei o curso a Jacinta ainda me acompanhou durante todo o processo, aliás, ela foi a minha coordenadora de estágio e nesse estágio eu tinha que preparar tudo: treino, sessões de avaliação, esquemas… portanto eu tinha que preparar tudo e acabei por utilizar todo esse conhecimento agora, nesta etapa.

J – Como é que surgiu a ideia do esquema de homenagem à Jacinta, como surgiu a inspiração dos elementos do mar, da música, tudo? Conta-me um bocadinho sobre este processo criativo:  

S – (Por entre uns quantos gritos com as pequenitas mais curiosas que andavam a saltitar de um lado para o outro na esperança de descobrir o que eu e a Sofia estávamos a fazer as duas sentadas num colchão, lá se foi desenrolando a nossa entrevista…) Olha nós já tínhamos feito um espetáculo com o Simão (Quintans) em Janeiro, foi ele que compôs a música que está por detrás do nosso esquema, ele já tinha o poema feito e acabou por compor tudo o resto e pronto, na altura as coisas estavam muito complicadas (com o internamento da Jacinta) e nós acabámos mesmo por sentir aquela música de um forma inexplicável. E depois tudo o resto, o mar, as cores, os pormenores foram todos pensamos porque eram coisas que nos faziam sentir bem e, no fundo, tudo aquilo que de alguma forma nos conseguia ligar à Jacinta. Entretanto, quando andávamos a preparar as coisas, o Professor Luís (um dos organizadores) disse-me que gostava muito de lhe fazer uma homenagem e que o Simão também iria estar presente e cantar (tal como aconteceu no funeral da Jacinta). E então eu disse logo que se ele iria estar presente então ele poderia cantar esta tal música que ele compôs, ao mesmo tempo que eu e a equipa fazíamos algo. Nós já tínhamos feito algo idêntico na AMAL e decidimos manter algo dentro do mesmo registo, até porque não poderia mudar muito as coisas porque havia pouco tempo, nós tivemos uma atuação ontem, temos uma hoje e amanhã vamos para o Benfica, por isso tinha que fazer algo dentro do mesmo registo que eles já sabiam. O pano branco que aparece no esquema nós já o tínhamos, portanto tudo o resto foi surgindo aos poucos e de forma natural, treinámos apenas durante dois dias porque, lá está, eles são tão polivalentes que eu digo mais ou menos como quero as coisas e tudo acaba por fluir super rápido. Em uma hora já tínhamos quase tudo delineado! Sabes, elas já estão tão habituada a estar tão focadas e a ter aquele espírito de “vá, o que é que é para fazer que nós fazemos” que as coisas acabam por correr muito bem. Em relação ao final nós queríamos fazer algo especial, sabíamos que queríamos um coração mas uma colega que também é atleta perguntou: «ok, nós já temos um coração, então e se tivéssemos um ‘J’ também?» Porque na altura, quando a Jacinta faleceu, nós queríamos ter um ‘J’ no nosso equipamento mas depois acabámos por deixar a ideia um pouco para trás porque poderia deixar de fazer sentido para novos ou futuros atletas que não estavam tão ligado e iria deixar de ter o sentido que queríamos… e pronto, embora tenhamos o símbolo do fumo no nosso maiô acabamos por não seguir com a ideia do ‘J’. Então na preparação do esquema tentámos sempre encontrar vários elementos que a homenageassem, como o mar, mas fomos deixando esse ‘J’ de lado até que lá surgiu a ideia de não colocarmos no maiô mas colocarmos num esquema delas e assim foi. (Podem ver a homenagem que falamos na secção seguinte) 

J – E agora mesmo para terminar, até porque o meu objetivo em fazer este artigo também é homenagear a Jacinta, qual é que achas que foi assim o principal papel dela na tua vida e na tua personalidade? Eu sei que tu já foste falando assim de alguns tópicos ao longo da nossa entrevista mas o objetivo é mesmo tentar perceber o papel da Jacinta na tua vida, a vários níveis e, claro, isso certamente irá espelhar-se na vida de tantas outras pessoas que ela também foi tocando:

S – Olha eu posso falar do papel da Jacinta logo desde os primeiro momentos em que em entrei na Ginástica, lá para 2002. Por acaso nesse ano a Gymnaestrada Mundial (um dos maiores eventos gímnicos) foi em Lisboa e eu lembro-me perfeitamente de chorar ao colo da Jacinta porque eu queria a minha mãe e esta foi uma das primeiras grandes ligações que eu tive com ela. Ela era como que uma segunda mãe, porque nós passámos imenso tempo com ela. Não eram só os treinos e as competições, nós íamos imensas vezes para a casa dela, jantávamos lá e fazíamos imensas coisas juntas (pausa de silêncio emotivo). E depois, mais tarde, quando comecei a trabalhar mais com ela passávamos ainda mais tempo juntas, eram tardes e tardes a  trabalhar em esquemas e em ideias e nas tasquinhas e angariações de fundos… e era isso, nós passámos imenso tempo juntas e, lá está, era sem dúvida como uma segunda mãe. Não só para mim, mas para imensa gente! E entretanto chegou também uma altura em que íamos para o Carnaval ou beber café e já não era tudo só em volta da vida profissional, já tínhamos mesmo uma relação de amizade. 

J – Muito obrigada Sofia. 

(Mega abraço)

E no final ainda deu para tiramos umas belas fotografias e matarmos saudades daquilo que era a ginástica do nosso tempo… e pelos vistos isto é como a bicicleta, nunca se esquece…

PARTE III – A homenagem à Jacy

Eu já vos tinha dito que chorei do início ao fim deste Sarau e estes momentos que agora partilho convosco foram uns dos mais especiais e emotivos de sempre. Não vou escrever muito sobre isto, acho que os vídeos e as imagens, neste caso, valem mesmo mais do que mil palavras e por isso em vez de escrever vou-vos mostrar algumas das partes que fui conseguindo gravar e fotografar… Peço desculpa se os vídeos não estão perfeitos e parecem que foram gravados em alto mar, mas de facto muitas das vezes eu própria estava a ser embalada por um oceano de emoções…

PARTE IV – As Acrogym Enigmas

Decidi separar a atuação das Enigmas não por serem mais ou menos que ninguém, mas pronto, são as minhas meninas, não é? O seu nível gímnico está cada vez melhor, nada comparado com a altura em que eu sai e estão sem dúvida de parabéns. Adorei cada momento!

 

PARTE V – As atuações e os grupos 

Bem, se chegaram até aqui então vocês são uns verdadeiros heróis. Agradeço desde já esse feito, especialmente pelo carinho e apoio que tenho sentido sempre desse lado <3

Como não tive muito tempo para preparar extamente o que queria fazer durante o evento, uma vez que decidi repentinamente aparecer, também não trouxe comigo um guião exato do roteiro que deveria ter esta reportagem! Sabia que isto deveria ser uma mistura de reportagem com um toque de entrevista pessoal e, acima de tudo, uma grande homenagem a uma das grandes e melhores pessoas que já passou na minha vida, mas não sabia ao certo o que iria sair daqui… por isso tudo foi saindo de uma forma muito natural.  

Esta minha última parte do post pretende especialmente honrar, homenagear e aplaudir todos os grupos presentes neste evento tão especial, por todo o seu esforço e dedicação. Fui tentando sempre fotografar e documentar o máximo de atuações possível e se alguém tiver mais vídeos ou imagens que gostasse de colocar neste artigo por favor envie-me uma mensagem. Se, por outro lado, não pretendem que alguma das fotografias ou vídeos estejam aqui retratados então por favor sigam a mesma norma <3 O meu muito obrigada a todos!! 

Aproveito também para pedir desculpa ao primeiro grupo que atuou da Associação de Educação Física e Desportiva de Torres Vedras porque não os consegui filmar, uma vez que tinha acabado de acontecer a atuação de homenagem à Jacinta e eu fui ter com as atletas. Mas, mais uma vez, se alguém tiver vídeos ou fotografias que queira partilhar aqui pode sentir-se à vontade de o fazer e de me contactar. Peço desculpa também a alguns grupos cuja atuação ficou gravada apenas pela metade mas, lá está, não tinha tudo completamente delineado antes de preparar esta reportagem! Ainda assim, acho que o que conta é não só a intenção como também o próprio momento em que a atuação se deu e esta foi apenas uma forma que encontrei para vos ir homenageando e me manter ligada a esta minha paixão. Espero que gostem!! 

Banda da AMAL

A banda da AMAL, dirigida pelo maestro Fernando Palacino, esteve sem dúvida de parabéns. Encarregou-se não só pela abertura do evento como também pelo acompanhamento de vários pontos de viragem das atuações e representou-nos também muito bem no acompanhamento do desfile de abertura com todos os participantes. Infelizmente não consegui gravar todos os seus momentos de atuação, mas deixo desde já os meus mais sinceros aplausos para com o vosso trabalho, especialmente no desfile de abertura. Seguem os vídeos que consegui fazer dos vários momentos:

Os grupos que atuaram na gala do Lourigym:

Associação de Educação Física e Desportiva de Torres Vedras

Sport Clube Escolar Bombarralense

Centro Desportivo Cultural e Recreativo Moinhos da Funcheira

Ginásio Clube do Montijo

Escola Secundária Dr. João Manuel da Costa, Lourinhã (The original Crew)

Associação de Educação Física e Desportiva de Torres Vedras

“Serrana” – Associação Desportiva Cultural e Recreativa da Serra D’El Rei

Clube Desportivo da Escola Secundária Miguel Torga/Queluz

Hóquei Clube da Lourinhã (Bambi Gym)

Agrupamento de escolas de Vouzela

Clube de Ginástica de Almada

Associação de Educação Física e Deporto de S. Pedro do Sul

Amadora Gimno Clube

Ginásio Clube Português

Atuações individuais (Arco, massas, fita, corda e bola)

Atuações em grupo

P.s – Adorei este grupo final que vem a seguir mas infelizmente gravei em “câmara lenta” (não sei muito bem como nem porquê) e então não consegui meter aqui o vídeo :C

E aqui está, espero que tenham gostado deste artigo  um pouco diferente do habitual  🙂  O objetivo foi sempre partilhar convosco um bocadinho da minha história enquanto ginasta; passando por uma homenagem à minha para sempre mentora Jacinta Santos;  mostrar-vos um lado diferente da Sofia, a agora treinadora das Acrogym e, claro, divulgar este universo através de fotografias e vídeos que fui fazendo ao longo do Sarau…

Sei que os vídeos não estão a 100%, mas espero mesmo que tenha conseguido passar para esse lado um bocadinho deste amor que me aquece o coração <3 

Beijinhos com muito, muito amor

#Joana.

Follow and like 🙂

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *